Amsterdam - dia 1
Cheguei ao enorme aeroporto de Amsterdam, nem olharam muito meu pro meu passaporte, e logo jah estava pegando o onibus pra encontrar a Daisy na estacao de trem. Soh que a Daisy acabou se atrasando meia hora, e como eu estava morrendo de fome acabei encarando um "salgado de ferroviaria" e um refrigerante de cassis (nao recomendo). Quando a Daisy chegou, saimos para o nosso albergue, bem pertinho da estacao, e na verdade bem pertinho de praticamente tudo, jah que Amsterdam tem mais ou menos metade do tamanho de POA, e as coisas mais interessantes pra visitar estao relativamente concentradas.

Deixamos as coisas no albergue e aimos pra uma primeira caminhada. A Daisy jah havia estado em Amsterdam e tinha me dito que nao achou tudo isso, que a parte mais de visitacao da cidade era muito baseada no esquema sexo-drogas (cade o rock'n'roll?), e tal. Eu nao sabia o que esperar, jah que uma outra amiga me dissera que tinha achado a cidade de uma delicadeza "comovedora", como diria o Ostermann. Da estacao ateh o nosso albergue passamos apenas por 2 "coffe shops". Pra quem nao sabe, os coffe shops de Amsterdam sao os lugares onde alcool eh proibido e a maconha liberada. Uns caras com cara de DAIB (Diretorio Academico do Instituto de Biociencias, nao sei se mudou o padrao) na frente, um cheiro extremamente enjoativo vindo de dentro, mas nada demais. Puxa, olha que eu acho cheiro de maconha preferivel ao cheiro de cigarro, mas o negocio era realmente uma catinga doce que por favor... Minha "droga" definitivamente eh o alcool, nao adianta.
Logo algumas quadras adiantes, apos cruzarmos os primeiros dos encantadores canais da cidade, chegamos a um "Markt", que era na verdade, um mercado de flores e de bulbos de flores. Uma coisa linda. Claro que eu comprei uns bulbinhos de tulipas pra mim. Soh espero que elas nao se cansem de esperar meio ano a mais pra serem plantadas (tem que ser no comecinho do inverno), e que as minhas adoraveis gatinhas nao gostem tanto das tulipas quanto eu, se eh que voces me entendem.




Uma unanimidade sobre Amsterdam se revelou de fato obvia. A quantidade de bicicletas eh um assombro. Na verdade, nao sei ateh que ponto Berna nao tem mais bicicletas proporcionalmente, mas como amsterdam eh cerca de 6x maior que Berna, claro que em quantidade ela ganha de lavada. Uma outra cois amuito interessante que a Daisy jah tinha me dito, mas eu me recusava a acreditar eh que as casas de Amsterdam sao tortas. Nao tortinhas, muuuuuuuuito tortas. O pior eh que eh verdade. olhando de perfil eh evidente que alguns predios pendem pra frente, outros pra tras, jah outros, como esse de esquina da foto tem um dos cantos como uma diagonal nitida e nao como uma linha vertical, sem falar naqueles predios que visivelmente estao "apoiados" nos vizinhos. Como dorme-se tranquilo num lugar desses???



Depois do almoco, fomos caminhando pelo centro da cidade, passamos pela Neue Kerk (igreja nova), pela antiga casa do rei, e quando chegamos a igreja velha (Oude Kerk), estavamos na fronteira do bairro da luz vermelha, como alias mostra essa placa na calcada em frente a Oude Kerk. Interessantemente, Amsterdam deve ser a unica cidade da Europa onde NENHUMA igreja faz parte do folhetro turistico que eles dao nos guiches, e parece que o horario de abertura nao eh dos mais amigaveis. Na Oude Kerk ateh pensamos em entrar, mas era alguns bons euros, e sem ter nenhuma ideia do que veriamos lah dentro preferimos nao entrar. Na luz vermelha sim, encontra-se uma profusao de sex shops e coffe shops, idealmente um sex shop ao lado de um coffe shop (seriam do mesmo dono?). Alguns coffes ateh sao bem bonitinhos, com mesinha na rua, e tal. Reza a lenda que durante o dia o bairro eh tranquilo, mas que de noite eh mais boca braba. As mulheres na vitrine estao claramente divididas em, ahn, zonas, com o perdao do trocadilho... Na fronteira do bairro estao as "mocas" de 40-60 anos, caidacas, um horror. Eh preciso um estomago forte pra ver aquilo. Mais pra dentro do bairro a idade baixa bastante, e o nivel melhora um pouco. Obviamente, o que se ve sao negras, "latinas", orientais e mulheres do leste europeu. Quantas estao ali por conviccao? Quantas estao ali por trafico? Os porteiros dos shows de sexo explicito ateh anunciam o espetaculo ao publico, teve um que nos ofereceu um show "familia"... Serah que ele estava falando num show comportado? Ora por que raios eu oiria ver um show de sexo "comportado" cazzo?? Outra coisa interessante, assim como os coffe shops de Amsterdam pra mim foram alem do nivel da atracao pro nivel do enjoo, com o sexo acontece algo parecido. Eh dificil pensar em um lugar mais broxante que o bairro da luz vermelha. Estranho, neh? Pois eh... vai ver que tem algo a ver com a maxima (com a qual concordo) de que as coisas insinuadas sao muito mais provocantes do que as explicitas.







De tardeznha, num programa absolutamente esquizofrenico, fomos na casa da Anne Frank. Na fila, a gente ve as pessoas saindo da casa. Mudas, com cara de cu. Todas. Achei a casa excelente. Profundamente tocante sem ser apelativa, e profundamente universal ambora seja necessariamente datada, mas eh sem duvida um dos passeios mais angustiantes que se pode fazer. Eu fiquei naquele ponto em que nao estava chorando, mas tinha um no monstruoso na garganta. Acho que se alguem naquele museu se pusesse aos prantos, haviria uma choradeira soh. Depois de ver os instrumentos de "castigo" e "para confissao" no castelo de Gent e de percorrer a casa eh incrivel pensar no que seres humanos jah foram capazes de fazer - com uma justificativa racional, bejam bem - contra outros seres humanos. Mas o pior nao eh isso. O pior eh parece que a humanidade ainda nao aprendeu. Talvez cada pais devesse ter uma casa dedicada as suas vitimas civis de guerra. Em Londres, Dresden, Hiroshima, Haifa, Gaza, Tiro, Dafur, Porto Principe, etc, etc, etc.

Jah disse Cazuza: Somos iguais em desgraca, vamos cantar o Blues da Piedade.

1 Comments:
Em novela, mas vale: Apareceu na novela um pouco de Amsterdam... Pelo que vi achei bem encantadora (tirando as "coitadas" da vitrine)...
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