Arrivederci, Roma
Se a segunda feira comecou sem novidades (um cornetto e um cappuccino no cafe da manha), ainda a manha veria fortes emocoes. Fomos largar as mochilas na estacao, para caminhar com o minimo de peso. Toda a parte de auto-servico na parte dos cofres estava desativada, e o unico modo de deixar as bagans lah era encarando uma fila cosideravel, atendida por dois morosos funcionarios da estacao de trem. Chegamos na fila junto com umas meninas francesas e paramos logo atras delas. Aluns minutos depois de nos, chegaram um casal italiano e um casal turista, que conversaram brevemente sobre amenidades (pelo menos foi que eu entendi). Talvez pela falta do conceito de fila, esse senhor italiano que estava atras de nos, comecou a nos ultrapassar... sempre que a fila dava um passinho ele dava cinco passinhos. Nos primeiros minutos achei apenas folclorico, jah que a esposa dele continuava atras de nos. Quando ele comecou a ultrapassar as francesas achei preocupante, mas enfim, a mulher dele ainda estava atras de nos. Foi entao que ela cometeu seu erro:
"Pepe (olha o nome do gringo... nao podia ser mais gringo), eu ainda to aqui atras!" - ao que o Pepe plhou discretamente pra ela e fez aquele biquinho que quer dizer "fica na tua, minha veia, deixa com o Pepe..." Voces sabem que eu sou uma pessoa calma. A personificacao da placidez, mas me subiu o sangue no mesmo segundo. O Pepe estava agora trancado entre as francesas e uma mulher comprida que bloqueava o caminho com uma mala proporcional a dona. Tentei contar ateh 10, tentei respirar fundo, mas nao deu. Apos alguns minutos, munido de toda minha simpatia, perguntei pra senhora atras de mim num italiano absolutamente improvisado e provavelmente incorreto: "Il eh con tue?" Ela entendeu. Nao soh entendeu como teve a cara de pau de responder: "Sim, sim, eh meu marido, eu vou passar pra lah"
Vejam o absurdo que se instalava naquela fila!!!! O quadro quase Dalinesco que presenciavamos!! Ao inves de constrangida, a mulher escancarou a canalhice! Daih eu tive que dizer: "Na na ni na na (linguagem universal)", daih ela teve a nova cara te pau de dizer que tinham chegado antes que nos, tese endossada pelo Pepe que mentia descaradamente que ele jah estava na fila guardando lugar pra ela. Daih as francesas tambem se indignaram e disseram: "Na na ni na na". Daih a mulher disse o que faltava para que meu sangue entrasse em ebulicao: "Deixa Pepe, essa gente nao tem educacao". A essa altura jah estavamos no lugar da fila delimitada por uma fita, mas o Pepe nao se deu por vencido, nos deu as costas e ficou lah impavido. As francesas, rosnando, atras dele tentando nao se estressar. Passos atras, eu e a Daisy bloqueando qualquer tentativa da "Pepa" nos ultrapassar, e a Pepa olhando para os lados avaliando se passava por baixo da fita ou deixava as coisas assim. Um momento de muita tensao, por suposto.
E asism a fila avancava, cada passo adiante e a possibilidade de um final apoteotico se aproximava. As francesas continuavam rosnando, mas era a mim, a cada 5 minutos que Pepe dirigia seu olhar debochado. Provalecendo-me de minha juventude e de meu porte fisico (mais um elemento surrealista nesse quadro), jah que o Pepe era um pouco menor que a Daisy, eu devolvia a encarada com os a furia faiscando em meu olhos e um leve cerrar de dentes. E assim, minuto a minuto a fila encolhia. Cada pessoa atendida e a Daisy pegava a minha mao e dizia "calma..." ateh que o climax dramatico aconteceu, a "Dona Comprida" foi atendida, a Daiy, pra reforcar amesagem me disse "Calma, calma..." e entao, quando o funcionario chamou o proximo, Pepe, o gaiato, transbordando em generosidade deixou que as francesas passassem. Obviamente, ez o mesmo conosco, o que prontamente agradeci "Grazie".
Nesses momentos eu queria estar com uma camisa do Brasil e mostrar que nem soh de bundas vive nossa terra, mas nao. Seria o ultimo dia do pais do toblerone na copa, e estava com a camisa da selecao suica que comprei aqui pra apoiar "die Nati" (a branca, obvio).
Bom, depois desse momento quase epico que quase culminou em uma grave crise diplomatica saimos e resolvemos ir para um parque. Passariamos primeiro pelo Zoologico e depois iriamos para o parque proximo a ele. O zoologico estava divertido, principalmente pela comunidade de Macacos do Japao, que me fez lembrar bastante do jardim da infancia lah perto de casa. Filhotes brincando, filhotes maiores fazendo brincadeiras mais brutas com filhotes menores, eventuais adultos que tomavam as dores dos menores, maes que arbitrariamente tiram seus filhotes da brincadeira pra catar-lhes as pulgas (ok, essa eh mais metaforica), e por aih vai. Jah o parque foi realmente decepcionante, com toda a sujeira da cidade magnificada pelo contraste com os jardins e os gramados. Olha, sinceramente, o parque tinha um pouco mais de lixo espalhado que a Redencao, o que eh grave. A Piazza di Siena, indicada ateh no mapa turistico e que parecia ter potencial de alguma coisa era um campo equestre tomado por 4 ou 5 focos de lixo.
Alias, falando nessa superpopulacao de lixo que testemunhamos; varias pessoas daqui que conhecem Roma estranharam que eu tivesse achado a cidae tao imunda. Talvez nos tenhamos ido lah em algum momento de crise da limpeza publica, o que eh possivel, mas nao sei nao. O lixo estava muito "generalizado" pelas ruas pra ser soh problema de falta de coleta.
Por esse ultimo post, talvez tenha ficado a impressao que eu nao tenha gostado de Roma, mas nao eh bem assim. Isso seria um exagero. O "clima" em alguns lugares eh fantastico, como na Pizza Navona, mas o clima geral da cidade nao me cativou muito, nao... essa sujeira constante, um excesso de gente grossa (e nao soh pelo Pepe...). Claro que todas as cidades tem seus defeitos, e que em apenas 3 dias eh impossivel sentir profundamente o espirito de cada cidade. Em todo caso, baseado soh nessas impresoes que tive, nao tenho duvida em dizer que entre as lambretinha e as bicicletas fico com a segunda opcao. Porem, que a cidade tem coisas lindas, ah isso tem. Alem disso, atirei a moedinha na Fontana di Trevi, o que significa que voltarei e que talvez mude completamente de ideia. Por que nao?






"Pepe (olha o nome do gringo... nao podia ser mais gringo), eu ainda to aqui atras!" - ao que o Pepe plhou discretamente pra ela e fez aquele biquinho que quer dizer "fica na tua, minha veia, deixa com o Pepe..." Voces sabem que eu sou uma pessoa calma. A personificacao da placidez, mas me subiu o sangue no mesmo segundo. O Pepe estava agora trancado entre as francesas e uma mulher comprida que bloqueava o caminho com uma mala proporcional a dona. Tentei contar ateh 10, tentei respirar fundo, mas nao deu. Apos alguns minutos, munido de toda minha simpatia, perguntei pra senhora atras de mim num italiano absolutamente improvisado e provavelmente incorreto: "Il eh con tue?" Ela entendeu. Nao soh entendeu como teve a cara de pau de responder: "Sim, sim, eh meu marido, eu vou passar pra lah"
Vejam o absurdo que se instalava naquela fila!!!! O quadro quase Dalinesco que presenciavamos!! Ao inves de constrangida, a mulher escancarou a canalhice! Daih eu tive que dizer: "Na na ni na na (linguagem universal)", daih ela teve a nova cara te pau de dizer que tinham chegado antes que nos, tese endossada pelo Pepe que mentia descaradamente que ele jah estava na fila guardando lugar pra ela. Daih as francesas tambem se indignaram e disseram: "Na na ni na na". Daih a mulher disse o que faltava para que meu sangue entrasse em ebulicao: "Deixa Pepe, essa gente nao tem educacao". A essa altura jah estavamos no lugar da fila delimitada por uma fita, mas o Pepe nao se deu por vencido, nos deu as costas e ficou lah impavido. As francesas, rosnando, atras dele tentando nao se estressar. Passos atras, eu e a Daisy bloqueando qualquer tentativa da "Pepa" nos ultrapassar, e a Pepa olhando para os lados avaliando se passava por baixo da fita ou deixava as coisas assim. Um momento de muita tensao, por suposto.
E asism a fila avancava, cada passo adiante e a possibilidade de um final apoteotico se aproximava. As francesas continuavam rosnando, mas era a mim, a cada 5 minutos que Pepe dirigia seu olhar debochado. Provalecendo-me de minha juventude e de meu porte fisico (mais um elemento surrealista nesse quadro), jah que o Pepe era um pouco menor que a Daisy, eu devolvia a encarada com os a furia faiscando em meu olhos e um leve cerrar de dentes. E assim, minuto a minuto a fila encolhia. Cada pessoa atendida e a Daisy pegava a minha mao e dizia "calma..." ateh que o climax dramatico aconteceu, a "Dona Comprida" foi atendida, a Daiy, pra reforcar amesagem me disse "Calma, calma..." e entao, quando o funcionario chamou o proximo, Pepe, o gaiato, transbordando em generosidade deixou que as francesas passassem. Obviamente, ez o mesmo conosco, o que prontamente agradeci "Grazie".
Nesses momentos eu queria estar com uma camisa do Brasil e mostrar que nem soh de bundas vive nossa terra, mas nao. Seria o ultimo dia do pais do toblerone na copa, e estava com a camisa da selecao suica que comprei aqui pra apoiar "die Nati" (a branca, obvio).
Bom, depois desse momento quase epico que quase culminou em uma grave crise diplomatica saimos e resolvemos ir para um parque. Passariamos primeiro pelo Zoologico e depois iriamos para o parque proximo a ele. O zoologico estava divertido, principalmente pela comunidade de Macacos do Japao, que me fez lembrar bastante do jardim da infancia lah perto de casa. Filhotes brincando, filhotes maiores fazendo brincadeiras mais brutas com filhotes menores, eventuais adultos que tomavam as dores dos menores, maes que arbitrariamente tiram seus filhotes da brincadeira pra catar-lhes as pulgas (ok, essa eh mais metaforica), e por aih vai. Jah o parque foi realmente decepcionante, com toda a sujeira da cidade magnificada pelo contraste com os jardins e os gramados. Olha, sinceramente, o parque tinha um pouco mais de lixo espalhado que a Redencao, o que eh grave. A Piazza di Siena, indicada ateh no mapa turistico e que parecia ter potencial de alguma coisa era um campo equestre tomado por 4 ou 5 focos de lixo.
Alias, falando nessa superpopulacao de lixo que testemunhamos; varias pessoas daqui que conhecem Roma estranharam que eu tivesse achado a cidae tao imunda. Talvez nos tenhamos ido lah em algum momento de crise da limpeza publica, o que eh possivel, mas nao sei nao. O lixo estava muito "generalizado" pelas ruas pra ser soh problema de falta de coleta.
Por esse ultimo post, talvez tenha ficado a impressao que eu nao tenha gostado de Roma, mas nao eh bem assim. Isso seria um exagero. O "clima" em alguns lugares eh fantastico, como na Pizza Navona, mas o clima geral da cidade nao me cativou muito, nao... essa sujeira constante, um excesso de gente grossa (e nao soh pelo Pepe...). Claro que todas as cidades tem seus defeitos, e que em apenas 3 dias eh impossivel sentir profundamente o espirito de cada cidade. Em todo caso, baseado soh nessas impresoes que tive, nao tenho duvida em dizer que entre as lambretinha e as bicicletas fico com a segunda opcao. Porem, que a cidade tem coisas lindas, ah isso tem. Alem disso, atirei a moedinha na Fontana di Trevi, o que significa que voltarei e que talvez mude completamente de ideia. Por que nao?






1 Comments:
É claro que Roma é maravilhosa no ponto de vista de monumentos históricos, mas também fiquei com uma má impressão quanto a sujeira da cidade, grossura de certos italianos e também pela quase ausência de árvores e parques. Num calor de 35 graus, tivemos que penar para achar uma sombrina de vez em quando.
Fiquei muito feliz de voltar para a Bélgica na segunda à noite e para nossa maravilhosa noite de "verão" belga, com 12 graus.
Post a Comment
<< Home