Tuesday, July 04, 2006

Roma

Cheguei a Roma pela manha, jah na chegada, o policial italiano na alfandega me perguntou se eu entendia italiano. Eu fiz um muxoxo como quem diz "um pouquinho". Ele disse que a Italia ia ser campea da Copa, e abriu um sorrisao. Simpatico ele, e quica vidente tambem. Se bem que sou mais o Felipao...

Desci no aeroporto de Ciampino, que mais parecia o Salgado Filho antigamente, com aquelas escadinhas empurradas por um tratorzinho. Sem preliminares, a pobre criatura sai do ambiente climatizado da aeronave pro terrivel sol do sul da Europa. Bom, se eu aqui em Berna jah reclamo do calor todos os dias (lembremos que minha sala nao tem ar-condicionado e pega sol toda a tarde), a Italia se mostrou ainda mais quente que Madrid. Soh pra voces verem como nao sou eu que sou muito chato, embora de fato o seja, eh que na segunda-feira, quando peguei o jornalzinho gratuito no aeroporto estava lah estampado na capa: "5 morrem na Italia durante onda de calor".

Comprei a passagem de onibus que faria a transferencia do aeroporto pra estacao central, a Termini. Nada muito organizado, mas funcionou. Um pouco antes do onibus partir um cliente italiano e um dos funcionarios ficaram discutindo, mas nao entendi porque. No caminho, o motorista reclamava do transito tirando as duas maos do volante e maldizendo o mundo. Os turistas que estavam comigo adoraram, devem ter achado "muito exotico". Isso tudo somado as ruinas romanas que se veem por toda a parte fizeram com que Roma mostrasse sua cara com uma franqueza impressionante.


Cheguei em Termini e constatei que, assim como no aeroporto, nao havia nanhum guiche de informacao turistica. Sorte que eu tinha imprimido um mapa da localizacao do Albergue antes de sair. Ainda um pouco hiper-atento devido aos varios comentarios do quao perigosa era Roma, saih procurando o albergue. Alem de ruinas romanas e muralhas, Roma tambem eh infestada de igrejas, as vezes coladas uma na outra. Perto de uma delas, a de Santa Maria Maggiore, encontrei um guiche de informacao turistica e consegui um mapa decente, alem de uma indicacao mais precisa de onde ficva o albergue. Deixei as coisas no albergue, no quarto com ar-condicionado (ainda bem!!), e saih pra explorar as redondezas, jah que a Daisy soh chegaria a tardinha.

Fui nessa igreja que falei e que ficava perto do nosso albergue e comi um quarto de pizza por 2,60 euro. Uma pechincha. Mais ou menos como em Paris, as pessoas nao falam ingles, nao gostam quando falam em ingles com eles e nao gostam quando a pessoa nao fala um italiano decente, mas ateh que a comunicacao foi tranquila. Minhas primeiras impressoes de Roma se mantiverem mais ou menos ateh o fim da viagem. Basicamente, eh uma cidade barulhenta e suja. Talvez o fato de que aqui a bicicleta tao comum em outras cidades tenha dado lugar as famosas lambretinhas reflita bem isso. E claro, o transito eh estranho. A primeira vista parece um caos total, mas os motoristas tendem a respeitar a faixa de pedestre, entao soh eh complicado ateh a pessoa adquirir a confianca necessaria pra travessar as ruas mais movimentadas.

Soh pra comentar sobre a igreja, jah que quase todas as fotos desse post sao de lah. Linda. Faz mais ou menos os estilo dourado das espanholas, mas tambem tem elementos muito antigos. O mosaico de Cristo da fachada eh de 1300 e pedrinha, e a fundacao original da igreja eh de 358! Depois dizem que o Cafu eh que eh velho. Nessa igreja estah enterrado Sao Mateus, embora nao tenhamos visto nanhuma indicacao disto lah. Soh descobri essa informacao agora! No relicario supostamente estao fragmentos da mangedoura de Belem onde Cristo naceu, que teriam sido roubados (ok, trazidos) de Jerusalem durante as cruzadas. Como em varias igrejas de Roma, mulheres nao podem entrar de blusa de alcinha, mas aqui eles tem uns lencinhos na entrada pras depravadas se cobrirem. Quando voltei na igreja com a Daisy, que vestia-se com o devido pudor, testemunhamos um seguranca da igreja transformado num mastim rosnando e gesticulando pra uma pobre turista, mas nao descobrimos o pecado da infeliz.

Quando fui pegar a Daisy no outro aeroporto da cidade, Fiumicino, encontrei um mexicano no trem que puxou papo e ficamos conversando ateh o aeroporto. Ele estava a mais ou menos duas semanas na Europa, ficando 2 dias em cada cidade. Assim como eu, tambem achou a cidade suja e barulhenta, mas ele realmente NAO gostou de Roma. Nem as coisas legais da cidade compensavam seus defeitos. Elel chegou a me dizer que se soubesse que era assim tinha ficado mais 2 dias em Munique, que era onde ele estava antes. No aeroporto tive uma certa decepcao com a cidade. parembulei os 3 terminais e soh consegui achar 1 misero bar que estivesse passando o jogo da Copa!

A Daisy chegou sem atrasos e fomos pro albergue desfrutar da maior de todas as invencoes da humanidade, essa pequena fabrica de felicidade chamada ar-condicionado.

Willis Carrier. Deveria ter pedido sua canonizacao quando fui ao Vaticano...

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

O trânsito de Roma é realmente um caos. Tenho que dizer que, ao contrário do Nelson, não me acostumei com o estresse na hora de atravessar ruas. Era sempre uma aventura: ou tu tinhas coragem para enfrentar os carros (e torcer para que eles parassem) ou ficava com cara de bobo durante vários minutos esperando o trânsito diminuir. É muita emoção para mim.

6:48 AM  
Blogger Ronaldo Ferreira said...

nelson, se puxou nesse post, Mr. Willis??? Depois dizem que doutorado no exterior é inútil...

se os turistas acharam exótico o motorista do onibus, é pq eles nao conhecem a estação do mercado central em Porto Alegre... coitados, nao sabem o que estao perdendo!

9:32 AM  

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