Monday, July 03, 2006

Toledo

Na desolacao brutal da paisagem, o cinza pontilhado das oliveiras se destacava no areal. Uma hora depois, chegamos na estacao ferroviaria de Toledo, para o primeiro momento de "Ohh...". A maioria dos turistas que estavam no onibus imediatamente sacou suas cameras pra registrar a linda estacao do inicio do seculo. Sob um calor sufocante, conseguimos um mapa em uma tendinha na estacao, mantida por um casal extremamente smpatico que ainda correu atras de nos uma dezena de metros pra se certificar que tinhamos compreendido que direcao tomar.



Entre a estacao e o centro da cidade, uma vista espetacular do Alcazar e uma ponte sobre o Tejo (em Toledo, Tajo). Subimos, vimos parte das muralhas e chegamos a entrada da cidade pela Puerta de Bisagra. Toledo eh uma das tantas cidades medievais ibericas fortificadas, testemunhas ancias da carnificina religiosa, sem mocinhos nem bandidos, que se abateu sobre essas bandas. Tambem foi utlizada durante a guerra civil como base para o exercito franquista.


Vesgos de fome e tontos do calor, resolvemos apenas dar um pulinho ateh a Puerta de Alfonso VI, tambem parte das muralhas, antes de procurar um lugar pra comer. Depois de um Gazpacho rejuvenecedor, num restaurante mais simpatico do que eficiente, saimos para percorrer o centro da cidade. Toledo eh um charme soh; ruelas estreitissimas, providenciais toldos contra o sol nas ruas, uma igreja a cada 100 metros, e uma sinuosidade que tornava o nosso mapa da cidade de pouca utilidade. Como em toda cidade turistica, centenas de lojinhas vendendo exatamente as mesmas coisas. Aqui os "hits" sao espadas, adagas arabes, armaduras, bugigangas relacionadas ao Quijote e (ai, ai...) marzipas. Claro que compramos uns, neh. Eu nao perderia essa oportunidade. O interessante eh que o marzipa de Toledo eh diferente do marzipa alemao que eu estou acostumado (e que eventualmente faco com certa competencia), que leva soh a farinha de amendoas, acucar e um respingo de agua. Aqui, bom, estamos na peninsula iberica, neh... entao aqui alem de tudo isso eles tambem usam ovos, alem de por o marzipa no forno, soh pra ficar douradinho de leve. Alias soh pra fazer um parentese, fui tomado de assalto por um sentimento de carinho pelo Quijote. Uma pena que os moinhos de vento de La Mancha sejam a uns 60km daqui.



Continuando pelas ruas, chegamos ateh a Catedral, dessas que mal cabem na foto. Linda, petrea, meio melancolica e quase rude, como varias das coisas daqui. Em uma outra igreja menor ainda quase entramos de penetras num casamento, e apos uma visita rapida pelo Alcazar (agora de pertinho), fomos descansar aproveitando a vista do Tejo, que cruzariamos novamente pela puente de Alcantara.


O Tejo de uma tristeza comovente. Mas nao sei exatamente o porque. Ao contrario dos rios que vimos ateh agora que fazem a vida girar ao seu redor (Sena, Tamisa, Rhine, mesmo o lago Leman), o Tejo passa como se tudo lhe fosse alheio. Tortuoso entre o terreno esteril, deixando a impressao que estah para secar, o Tejo parece um sobrevivente mudo, que rasga silenciosamente as rochas em seu caminho. O rio mais lindo que jah vi, e que contemplo respeitosamente.

PS: Me antecipando aos comentarios; Sim, eu sei. Estou quase tao careca quanto o Zidane (mas infelizmente jogo muitissimo menos...)

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Zidane..........heheheehehe....

4:54 PM  
Blogger Ronaldo Ferreira said...

o importante é que a terra de cervantes de inspirou a ser escritor... frases melancólicas... quem sabe Toledo te ensina a parar de enrolar e escrever uma cartinha para a Nature???? hehehehehuahuahauhauahauh

8:10 AM  

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