Sunday, July 30, 2006

A cidade das tulipas

Apos sairmos da casa da Anne Frank, e depois de curar a nausea que a visita proporciona, ficamos apenas caminhando pelos canais atras de um restaurante simpatico pra comer. O problema eh que a gente nao conseguia entender o cardapio dos restaurantes simpaticos... tudo escrito em holandes. No fim acabamos comendo um lanche num barzinho de esquina. Barzinho simpatico, alias.

No outro dia, resolvemos caminhar pro lado dos museus. Comecamos no Rijksmuseum (Museu do Rei). Cara, eles tem verdadeira devocao pelo Rembrand aqui, e como esse ano fazem 400 anos do nascimento dele varias mostras temporarias o tem como tema. De uma forma geral, os museus de Amsterdam sao excelentes. Pequenos, o que sempre tem a vantagem de nao ser cansativo, de bom acervo, e super bem organizados. O Rijks ateh deixa o cara tirar foto sem flash, coisa que soh tinhamos visto no Orsay. Antes do Rembrant tb vimos coisas muito legais sobre as colonias holandesas no alem-mar, e entre as coisas mais curiosas, as casinhas de boneca (idealmente uma versao miniaturizada da propria casa) que as mulheres ricas mantinham em suas salas, e entre as coisas mais legais, dois ou tres Vermeer. Na linha "codigo da Vinci", uma das salas do museu fala que no famosissimo quadro da "Ronda Noturna" o Rembrand estava tentando nos contar uma historia de consipracao e assassinato. A historinha eh legal, como toda boa historia de conspiracao. Alem disso, a sala que abriga a Ronda Noturna foi transformada numa sala de cinema, e um diretor ingles usa efeitos de luz sobre a tela e sons pra contar a historia da conspiracao. Apesar de parecer uma tarefa meio metida a besta, o resultado eh absolutamemnte fantastico.




Depois do Rijks museum fomos comer alguma coisa no parque que ha atras do museu e que o liga ao museu Van Gogh. O parque, cheio de gramas pra sentar, eh uma fauna soh. Sabem aquela figura tipica do "europeu-adorador-do-sol-que-se-brozeia-no-parque"? Pois eh, eles estavam lah, aos montes. Tambem tinha algumas pessoas no espelho d'agua no parque, mas o que eh interessante eh como eles conseguem conciliar essa aparente "chinelagem" com um clima que nao eh "chinelao" em absoluto. Tipo, no Brasil quando o pessoal entra em laguinho de parque eh uma chinelagem soh (o espelho d'agua da Redencao nao me deixa mentir), mas em Amsterdam eles conseguiam fazer a bagunca com uma certa civilidade.



Saindo do museu Van Gogh fomos caminhar mais um pouco pelo centro, vimos mais alguns predios legais e pegamos um tour pelos canais de Amsterdam. Passamos por mais um relvado cheio de holandeses ao sol, pot uma replica de uma caravela, e pelo presuncoso predio do NEMO, que acho eu, eh um museu de tecnologia. Ah sim, o predio do NEMO (foto dedicada ao Andre)reoresenta um barco pra se "integrar de maneira natural a paisagem da cidade" como dizia o livrinho do escritorio de turismo, e eh obra do arquiteto Renzo Piano, que entre outras coisas projetou o Centro Georges Pompidou. Nao deixa de ser interessante. Tambem vimos as "casas flutuantes" de Amsterdam, quando as pessoas resolveram morar no canal, devido a uma crise imobiliaria na cidade, alem das "casas dancantes" (ou "casas bebadas"), as mais tortas casas dentre as tortas casas de Amsterdam.





No final, a minha impressao de Amsterdam? Achei uma cidade encantadora, e sim, muito delicada, com suas flores, suas bicicletas, suas casinhas tortas. Com a placidez dos canais e a grande simpatia da maioria do seu povo. Acho que no fim a Daisy tb concordou comigo, e que a primeira avaliacao dela eh que foi muito dependente de uma visita de apenas um dia. Na verdade acho que Amsterdam depende muito do que a pessoa quer com ela, pois eh uma cidade que "direciona" o visitante pra onde estah a curiosidade dele. Uma cidade que gira ao redor de feiras de tulipas nao pode ser um lugar ruim.

Amsterdam - dia 1

Por um pouco de praticidade e um tanto de pao-durismo, dormi no aeroporto de Genebra pra pegar o voo bem cedinho pra Amsterdam. Na verdade, essa segunda noite num aeroporto jah foi bem melhor do que a primeira, uma prova que na vida o importante eh aprender, hehe.

Cheguei ao enorme aeroporto de Amsterdam, nem olharam muito meu pro meu passaporte, e logo jah estava pegando o onibus pra encontrar a Daisy na estacao de trem. Soh que a Daisy acabou se atrasando meia hora, e como eu estava morrendo de fome acabei encarando um "salgado de ferroviaria" e um refrigerante de cassis (nao recomendo). Quando a Daisy chegou, saimos para o nosso albergue, bem pertinho da estacao, e na verdade bem pertinho de praticamente tudo, jah que Amsterdam tem mais ou menos metade do tamanho de POA, e as coisas mais interessantes pra visitar estao relativamente concentradas.


Deixamos as coisas no albergue e aimos pra uma primeira caminhada. A Daisy jah havia estado em Amsterdam e tinha me dito que nao achou tudo isso, que a parte mais de visitacao da cidade era muito baseada no esquema sexo-drogas (cade o rock'n'roll?), e tal. Eu nao sabia o que esperar, jah que uma outra amiga me dissera que tinha achado a cidade de uma delicadeza "comovedora", como diria o Ostermann. Da estacao ateh o nosso albergue passamos apenas por 2 "coffe shops". Pra quem nao sabe, os coffe shops de Amsterdam sao os lugares onde alcool eh proibido e a maconha liberada. Uns caras com cara de DAIB (Diretorio Academico do Instituto de Biociencias, nao sei se mudou o padrao) na frente, um cheiro extremamente enjoativo vindo de dentro, mas nada demais. Puxa, olha que eu acho cheiro de maconha preferivel ao cheiro de cigarro, mas o negocio era realmente uma catinga doce que por favor... Minha "droga" definitivamente eh o alcool, nao adianta.

Logo algumas quadras adiantes, apos cruzarmos os primeiros dos encantadores canais da cidade, chegamos a um "Markt", que era na verdade, um mercado de flores e de bulbos de flores. Uma coisa linda. Claro que eu comprei uns bulbinhos de tulipas pra mim. Soh espero que elas nao se cansem de esperar meio ano a mais pra serem plantadas (tem que ser no comecinho do inverno), e que as minhas adoraveis gatinhas nao gostem tanto das tulipas quanto eu, se eh que voces me entendem.


Uma unanimidade sobre Amsterdam se revelou de fato obvia. A quantidade de bicicletas eh um assombro. Na verdade, nao sei ateh que ponto Berna nao tem mais bicicletas proporcionalmente, mas como amsterdam eh cerca de 6x maior que Berna, claro que em quantidade ela ganha de lavada. Uma outra cois amuito interessante que a Daisy jah tinha me dito, mas eu me recusava a acreditar eh que as casas de Amsterdam sao tortas. Nao tortinhas, muuuuuuuuito tortas. O pior eh que eh verdade. olhando de perfil eh evidente que alguns predios pendem pra frente, outros pra tras, jah outros, como esse de esquina da foto tem um dos cantos como uma diagonal nitida e nao como uma linha vertical, sem falar naqueles predios que visivelmente estao "apoiados" nos vizinhos. Como dorme-se tranquilo num lugar desses???



Depois do almoco, fomos caminhando pelo centro da cidade, passamos pela Neue Kerk (igreja nova), pela antiga casa do rei, e quando chegamos a igreja velha (Oude Kerk), estavamos na fronteira do bairro da luz vermelha, como alias mostra essa placa na calcada em frente a Oude Kerk. Interessantemente, Amsterdam deve ser a unica cidade da Europa onde NENHUMA igreja faz parte do folhetro turistico que eles dao nos guiches, e parece que o horario de abertura nao eh dos mais amigaveis. Na Oude Kerk ateh pensamos em entrar, mas era alguns bons euros, e sem ter nenhuma ideia do que veriamos lah dentro preferimos nao entrar. Na luz vermelha sim, encontra-se uma profusao de sex shops e coffe shops, idealmente um sex shop ao lado de um coffe shop (seriam do mesmo dono?). Alguns coffes ateh sao bem bonitinhos, com mesinha na rua, e tal. Reza a lenda que durante o dia o bairro eh tranquilo, mas que de noite eh mais boca braba. As mulheres na vitrine estao claramente divididas em, ahn, zonas, com o perdao do trocadilho... Na fronteira do bairro estao as "mocas" de 40-60 anos, caidacas, um horror. Eh preciso um estomago forte pra ver aquilo. Mais pra dentro do bairro a idade baixa bastante, e o nivel melhora um pouco. Obviamente, o que se ve sao negras, "latinas", orientais e mulheres do leste europeu. Quantas estao ali por conviccao? Quantas estao ali por trafico? Os porteiros dos shows de sexo explicito ateh anunciam o espetaculo ao publico, teve um que nos ofereceu um show "familia"... Serah que ele estava falando num show comportado? Ora por que raios eu oiria ver um show de sexo "comportado" cazzo?? Outra coisa interessante, assim como os coffe shops de Amsterdam pra mim foram alem do nivel da atracao pro nivel do enjoo, com o sexo acontece algo parecido. Eh dificil pensar em um lugar mais broxante que o bairro da luz vermelha. Estranho, neh? Pois eh... vai ver que tem algo a ver com a maxima (com a qual concordo) de que as coisas insinuadas sao muito mais provocantes do que as explicitas.



De tardeznha, num programa absolutamente esquizofrenico, fomos na casa da Anne Frank. Na fila, a gente ve as pessoas saindo da casa. Mudas, com cara de cu. Todas. Achei a casa excelente. Profundamente tocante sem ser apelativa, e profundamente universal ambora seja necessariamente datada, mas eh sem duvida um dos passeios mais angustiantes que se pode fazer. Eu fiquei naquele ponto em que nao estava chorando, mas tinha um no monstruoso na garganta. Acho que se alguem naquele museu se pusesse aos prantos, haviria uma choradeira soh. Depois de ver os instrumentos de "castigo" e "para confissao" no castelo de Gent e de percorrer a casa eh incrivel pensar no que seres humanos jah foram capazes de fazer - com uma justificativa racional, bejam bem - contra outros seres humanos. Mas o pior nao eh isso. O pior eh parece que a humanidade ainda nao aprendeu. Talvez cada pais devesse ter uma casa dedicada as suas vitimas civis de guerra. Em Londres, Dresden, Hiroshima, Haifa, Gaza, Tiro, Dafur, Porto Principe, etc, etc, etc.



Jah disse Cazuza: Somos iguais em desgraca, vamos cantar o Blues da Piedade.

Saturday, July 29, 2006

Brugges

Se em Gent o tempo ainda estava aproveitavel, em Brugges estava um lixo total. Soh nao estava pior porque os chuviscos que nos perseguiam eram meramente eventuais.

Mesmo assim, o passeio foi uma delicia. A cidade eh bem parecida com Gent em estilo, embora parece um pouco mais "organizada" para o turismo, o que nao eh necessariamente ruim, embora eu confesse que tenha gostado mais de Gent. Milhares de lojas de bordados, e algumas lojas vendendo felicidade (chocolates belgas, obvio). Nessas, dah pra escolher chocolate com 55, 65, 80% de cacau, ou chocolates feitos com cacau de Gana, ou Madagascar, ou Cuba, isso sem falar nos bombons. Sem duvida uma visao do paraiso.

Tambem fizemos um tour de barco pelos canais, e no mais ficamos andando pela cidade. Mas nao andamos de carruagem, outro transporte turistico muito popular em Brugges. O centro tem uma arquitetura "casinha de boneca" bem tipo dos paises mais nordicos. Caminhando um pouco mais chega-se num outro conjunto arquitetonico lindo, onde um dos predios que chama atencao eh um predio cinza guarnecido de cavaleiros dourados. O mais curioso eh que se trata de uma igreja! Pior, tb nao eh uma igreja qualquer, mas eh a igreja que guarda a reliqui do sangue de cristo. Bom, pra quem acredita, claro. No dia em que estavamos lah, o padre estava exibindo a reliquia, e como tambem seria desrespeitoso de nossa parte tomar a comunhao soh pra ver o artefato de perto, soh o observamos de longe. Basicamente eh um tubo de ensaio fechado com ornamentos dourados, onde tem algo dentro, aparentemente em estado liquido e de consistencia glicerinica, muito bizarro...





Ah sim, de noite, chegamos em casa a tempo de ver a final da Copa. Pelas ruas de Bruxelas deveria ter umas 10 camisas da Italia pra cada camisa da Franca, de modo que depois que a Italia ganhou levei um certo medo de que as comemoracoes nos impedissem de dormir, mas ateh que nao.

Tambem me esqueci de contar que no sabado a noite finalmente conheci "o Grego", o Elef, dono do apartamento onde a Daisy mora. Pois eh, conheci o Grago, a namorada grega do Grego, chamada Helena (que significa "grega", em grego), e um amigo grego do Grego. Achei todos muito gente boa, e confesso que felizmente o Grego eh bastante sem graca. Ufa!

Ah sim, eu achei que o eles tambem viriam assistir a final da Copa com a gente no domingo, por isso nao tirei fotos com eles no sabado. Infelizmente me enganei...