Monday, December 04, 2006

Um dia surreal em paris

Cheguei a noite em Paris e de trem, que acaba sendo mais comodo e mais barato que o aviao. Fui direto pro albergue e cedo na manha seguinte fui ciumprir a minha primeira missao na cidade luz. Comprar um Madiran. Madiran eh uma pequena regiao vinicola no sudoeste da Franca, perto do pais basco. Nao por acaso, alguns imigrantes bascos que foram pro Uruguai levaram consigo alguns pezinhos de vinhas de sua regiao natal. A Tannat, a uva famosa do Uruguai, vem daquelas bandas, portanto, e Madiran eh uma das poucas apelacoes de origem onde os vinhos sao 100% Tannat. Como eu adoro Tannat, estava, desde marco, louco pra comprar um madiran aqui pela europa e comparar com os vinhos uruguaios. O problema, eh que em Berna eh simplesmente impossivel achar Madiran. Acho que jah fui em todas as enotecas daqui e nada do tal Madiran. Bom, se eu nao encotrasse em Paris nao encontraria em lugar nenhum, neh...
Apos consultar o oraculo de Delfos (leia-se google), selecionei algumas possiveis lojas onde eu poderia achar o vinho. Uma parecia bem facil de chegar, perto da Opera, e dizia num comentario da pagina que eu estava procurando "selecao especialmente interessante dos vinhos do Sudoeste". Tah, era lah que eu ia.

Cheguei cedo de mais e a loja estava fechada. Abriria meia-hora mais tarde, o que me obrigou a dar uma pernadinha pelos arredores. Fui num supermercado comprar o meu almoco, que em principio seria o trio sanduiche/coca-light/chocolate e eis que acho um Madiran em meia-garrafa (claramente meia-boca). Obvio que a coca-light marchou. Ainda aproveitei pra comprar uma meia-garrafa de champagne. Soh estar em paris jah vale comemoracao.

Voltei na enoteca e encontrei o proprietario saindo (?!) e trancando a porta... daih ele me perguntou se eu ia na loja, e como eu respondi afirmativamente ele reabriu a porta e o "dia surreal em Paris" comecou. 1, o cara falava ingles numa boa (?!), me disse que ia no banco pagar umas contas, e perguntou se eu me importava se ele me trancasse na loja (?!). Eu disse, se o senhor jura que volta... Ele nao soh voltou como ainda veio com 2 copos de capuccino e 4 croissants. Sim, eu acabava de ganhar um lanche do simpatico proprietario (sensacional, nao?), que cumulo do surreal, era filho de frances com argentino (??!!). Bom, foi eu dizer pra ele que eu queria um Madiran que o cara enlouqueceu. Perguntou porque, e depois que eu brevemente expliquei, me disse achava muito interessante que eu estivesse interesado em conhecer as regioes menores, tipo, tentar entender o vinho mais profundamente e me deu, juro, uma aula ESPETACULAR de uma hora e meia sobre os vinhos da Franca, com enfase no sudoeste e no Rhone (porque eu comprei um Crozes-Hermitage), sobre os vinhos em geral, sobre a critica de vinhos, etc. Foi absolutamente surreal e absolutamente fantastico. Ele me disse 10 vezes mais ou menos que eu nao podia tomar o Madiran com outra coisa que nao fosse pato. Acho que no proximo final de semana vou fazer um pato e matar o vinho. Seria um desrepeito desobedecer ao professor.

Ainda meio tonto, consegui sair de lah e dar uma passeadinha pelos arredores do Sena, visitar por fora o horroroso (o Renzo Piano que me desculpe, mas sou muito mais o Niemeyer) predio do Centre George Pompidou, e rumar para a parte 2 da missao Paris. Ir as semifinais do Master Series de tenis masculino.









Cheguei no "Palacio Omnisports", e aproveitei pra almocar sentado nas banquetinhas de concreto do acesso ao lugar. Chinelagem compartilhada por outras pessoas. Uma das semifinais foi muito boa. Davydenko x Robredo. Dois tenistas que inclusive foram pra Masters Cup. Impressionante como a velocidade do jogo muda em comparacao ao feminino. Jah no segundo jogo... a mala do Tommy Haas teve um piti histerico quando tava tomando um laco do Hrbaty e depois de perder o saque no inicio do 2o set alegou uma contusao no tornozelo e abandonou... Azar o dele. Eu teria mais tempo pra caminhar por Paris.







Acabei dedicando o final da tarde e o inicio da noite a conhecer a Torre Eiffel do outro lado do Sena (com a Daisy soh fomos ver a torre do Trocadero), a uma boa caminhada na Champs Elysees, e a um final de noite tomando meu champanhe (nos mesmos copinhos de plastico amarelos da outra foto) no Trcadero olhando a Torre. A grande vantagem eh que numa cidade a 4 graus, nem se precisa geladeira pra champagne... basta andar com ela amarrada do lado de fora da mochila.

Um dia que comecou surreal, nao podia terminar de outra forma. Tava lah eu, olhando a torre e pensando na vida, bebericando meu vinho, quando chegou um grupo de jovens de fisionomia do sudeste asiatico. Um dos caras viram que eu tava tomando champagne e meio que puxou uma conversa em frances, e pediu pra eu bater uma foto deles. O meu frances estah levemente acima da linha do ridiculo, mas ateh que deu pra conversar um pouquinho com o cara, que entao me soltou as 2 perguntas surreais que encerraram a noite com chave de ouro. A primeira era se eu era frances (???!!!), ao que eu, surpreso (estupefato seria melhor?), disse que nao. Detalhe, eles eram franceses! Soh que filhos de imigrantes tailandeses. Daih ele me perguntou se eu nao queria que ele me apresentasse uma das amigas que tava com ele (???!!!!), e olhem que a menina era bem jeitosinha... mas de novo eu respondi negativamente, dise que tiha namorada (sabe como eh neh, alguem podia se ofender com um simples "nao") , e tal. Afinal, tenho que manter meu nome como guri bom.



1 Comments:

Blogger Ronaldo Ferreira said...

Você não é um guri bom. Enganou o dono da loja de vinhos (com certeza, tomou umas cinco garrafas e escondeu a prova do crime) e ainda por cima partiu o coraçãozinho da menina. Pô, nelson! Lamentável...

6:25 AM  

Post a Comment

<< Home