Friday, August 04, 2006

Mallet Duo

Como jah falei antes aqui, meu grande divertimento de sabado eh ir na feirinha na Marktgasse e comprar a massa espetacular que eles tem lah. Foi num desses sabados, que andando entre a parada do onibus e a feirinha eu ouvi um som, e logo depois vi que eram dois caras tocando xilofone. Parei pra olhar. Acho que na hora eles tavam tovando o "Inverno", do Vivaldi. Um arranjo bem feitinho mesmo. Puxa, na eh facil adaptar uma musica feita pra soar pra um instrumento que tem um som tao timido quanto um xilofone. Um deles, o gordinho, era visivelmente um virtuose da coisa. Coisas rapidissimas, daquelas que o cara que tah ouvindo pensa "ele nao vai consiguir fazer aquilo" e pum, o gordinho ia lah e fazia.

Fiquei acho que uma hora os escutando. Alem de mim umas 20 pessoas, talvez tambem os escutando. Claro que pra tocar na rua, eles destrincharam um repertorio de musicas classicas bem conhecidas. Todas muito bem executadas. No final, eles agradecera, disseram que iam fazer uma pausa, as pessoas deram suas moedinhas e fui lah falar com eles. Descobri que ambos sao poloneses, musicos formados, e o que me deixou mais impressionado eh que eles fizeram todos os arranjos pra tocar as pecas num duo de xilofones. O gordinho (ou Piotr Schiller, pra parar de chamar o cara de "o gordinho") ateh professor eh numa universidade em Gdansk.

Acabei comprando os dois CDs deles. Sabado, que jah tinha as cores e os cheiros da feirinha, alem do gosto das massas que fazia a noite, agora ganhava sons.




PS: Um post-scriptum, soh porque estou escrevendo esses ultimos posts (desde o de Murano) agora em outubro, eh que foi uma pena nesse sabado ir a feirinha e nao escutar o som do sabado. De repente eles estao se apresentando em algum lugar, ou foram para outra cidade, ou estao tentando achar ainda um pouco de verao. Se voltarem, otimo. Se nao voltarem, continuam sendo "O Som de Sabado", mesmo assim.

1 de agosto

O 1 de agosto aqui na Suica eh mais ou menos equivalente ao 7 de setembro no Brasil. Marca a data em que 3 reinos (futuramente os Cantoes - equivalentes aos estados no Brasil) firmaram um pacto e criaram a Confederacao Helvecia, futuramente Confederacao Suica. Se nao me engano esses Cantoes ficam mais a nordeste, perto da fronteira ocm Alemanha e Austria, mas nao vou jurar. Mesmo que os outros cantoes tenham se juntado a confederacao em datas diversas, a data oficial da celebracao do pais ficou 1 de agosto, mesmo.

Basicamente, todas as cidades comemoram com algum tipo de queima de fogos, que aqui em Berna acontece as margens do Aare. Meio atrasado, pq fiquei me amarrando aqui no lab, saih apressado, passei na estacao e, na unica loja aberta depois das 21, comprei uma garrafa de vinho branco suico e fui para o terraco da Catedral, onde achei que teria uma visao legal da queima de fogos. Eu estava certo, mas como minha ideia nao era NADA original, tinha uma galera por lah. O terraco, alem de uma ponte mais ao norte no rio e do Rosengarten, na outra margem, eram de fato os melhores lugares pra ver a queima, que estava relativamente curta, mas bem bonita.

Hopp Schwiiz!
Allez Suisse!
Forza Svizzera!

(e em Romanche eu nao sei...)









Burano

No mesmo dia em que fomos a Murano, reservamos a manha para irmos ateh Burano, que eh mais conhecida pelos bordados, pelas casinhas coloridas com cortina na porta, e por ser um destino turistico menos frequente do que sua quase xara mais famosa.

Mais um dia de calor infernal, jah quando o Vaporetto se aproxima da pequena ilha, ve-se as casinhas coloridas. Diz a lenda que os pescadores pintavam as casas de cores fortes e diferentes para poderem olha-las enquanto estavam pescando na laguna, mas li em outro lugar que isso eh bobagem, pois a ilha eh muito longe dos locais de pesca. Em todo caso, o colorido da cidade, que os habitante mantem com afinco, dah um charme todo especial a ilhazinha. A maior parte das casas ainda tem a cortininha na porta, mas agora com uma porta de fato por tras da cortininha. Um brasileiro tenderia a pensar que pode ter algo a ver com violencia, quem sabe, mas nao. Alias, aqui ninguem pensaria nisso. O problema eh que os turistas, quase por definicao mais metdos do que deviam, ficavam metendo a cabeca pra dentro da cortina, porque achavam aquilo "muito exotico", ao que os nativos, de saco cheio justamente, resolveram botar as portas convencionais por tras das cortininhas.

Uma ultima curiosidade: Depois que se vai pra Amsterdam a gente pensa que tirando a Torre de Pisa jah se viu o que pode haver de mais torto em arquitetura. Bom, a torre da igreja de Burano eh um desafio as leis da gravidade. Apavorante. Outra coisa interessante, eh que mesmo com todo colorido das casas a ilha tem uma certa lentidao, uma inercia, que eh absolutamente encantadora e quase melancolica. Sem pressa nenhuma, almocamos de baixo de uma arvore num pedaco precioso de sombra que encontramos. Depois do almoco era hora de irmos a Murano.

















Murano e o Lido

Saimos de Burano logo apos o almoco e achamos que ainda dava tempo de irmos ateh Murano, ilha que eh famosa por seu trabalho em vidro. Pra isso, pegamos o eterno Vaporetto, a apos alguns bons minutos estavamos lah.

Talvez porque fomos mais no final da tarde, a ilha nao estava tao cheia de turistas como imaginavamos, e a maioria das lojas jah tinha parado de trabalhar com vidro, mas ainda pudemos ver em dois lugares os artesaos fazendo algumas pecas. O curioso da historia eh que parece que varias lojas de Murano estao comprando pecas "made in China" (literalmente) pra revender para os turistas. Pros que ganharam presentinhos de Murano, garanto que compramos sempre em lojas que tinham um cartazinho "denunciando" isso do vidro chines e dizendo que lah eles soh vendiam o verdadeiro vidro de Murano. Alias, foram nesses lugares que vimos o pessoal trabalhando ao vivo, o que enfim, pode ser alguma garantia.

A ilha em si porem, nao tem grandes charmes. Nao tem a rusticidade de Burano, a sensualidade bagaceira do Lido nem o brilho de Veneza. Parece um pouco como uma mini-micro-venezazinha, o que nao eh nenhum demerito, vejam bem. Apenas faz com que seja um lugar bastante dificil de descrever.






No outro dia, de manha, resolvemos pegar uma prainha e dourar nossos corpos sob o sol do Adriatico. Assim, fomos de Vaporetto ateh o Lido de manha. O Lido eh uma faixa de terra que separa a baia de Veneza do mar aberto. Estreitissima. Desce-se do Vaporetto de um lado, e apos 200 ou 300m, voila. A rua que percorremos pra fazer esses metros guarda um certo que de Capao da Canoa. Ou pelo menos foi isso que me lembrou. Umas bugigangas de praia pra vender, uns barzinhos vendendo sorvete daqueles de maquina, um clima mais familia que turistico, no geral.

A praia eh toda dividida em "lotes", sendo que alguns tem ateh acesso pago, mas a maioria soh cobra pelo aluguel de cadeiras e guarda sois. A primeira grande dificuldade foi achar algum desses lotes com lugares livres pra pendurar um guarda sol, mas no fim achamos um lugar bastante razoavel, a meio caminho entre o mar e um barzinho.

A segunda dificuldade era caminhar na areia, que fervendo desde cedo num calor de 40 graus, estava simplesmente o marmore do inferno. Refresco mesmo soh dendro d'agua ou na sombra do guarda sol.

Uma coisa que me surpreendeu eh que eu achava que a Italia fosse mais sem-vergonha. Top-less mesmo soh vi em grandes (mesmo) matronas com pinta de americanas, dessas que gostam da Europa pelo seu ambiente mais "liberal", mas foi soh. Depois acabei descobrindo que em Barcelona o habito do top-less eh muito mais difundido. Em todo caso, o que eh interessante eh que pra ir embora as pessoas trocam de roupa ali na praia mesmo, daih tem uns que ficam meio pelados, uns que soh poem uma toalinha por cima e era isso. Sem frescura.






Thursday, August 03, 2006

Veneza - a cidade

Fui para Veneza de trem, que tem a desvantagem de ser meio cansativo, embora tenha a enorme vantagem de (ainda) nao ter atraido a cobica dos terroristas internacionais. Alem dos artigos que levei pra ler, estava lendo tambem o divertidissimo guia da Time sobre Veneza que a Sabine, uma colega aqui do lab me emprestou. De humor britanico, o guia anunciava: "Voce tera a impressao que todos os mapas de veneza foram publicados com o unico objetivo de fazer com que voce se perca". divertido, nao?



Pra piorar um pouco as coisas, o trem que Daisy pegou do Aeroporto em Treviso ateh Veneza atrasou e entao soh chegamos na cidade a noite, mas a verdade eh que nao nos perdemos e achamos o hotel com relativa facilidade.

No geral, Veneza tem um clima bastante simpatico. Eu, que jah estava achando que nao gostaria muito de Veneza, tudo culpa de Roma, me enganei redondamente. Eh um cliche, mas Veneza eh uma cidade unica, e talvez isso acabe compensando a ausencia de verde que a cidade possui. Aqui, porem, as pessoas tentam povoar as janelas com alguma vida, e o contraste das flores com a pintura desbotada dos predios eh melancolicamente belo, combinando perfeitamente com o remar dos gondoleiros. Ah sim, a proposito, nao andamos de gondola, jah que os precos eram pra lah de salgados.

Tambem eh impressionante o numero de igrejas que ha em Veneza. Eh quase como se tropecassemos nelas a medida em que se anda pela cidade. Varias tem quadros de grandes mestres, algumas sao bastante simples, e tem ateh uma que abriga supostamente o corpo de Santa Lucia (3a foto depois da foto do gato), onde oode-se ver os pezinhos mumificados do corpo, embora o rosto esteja coberto por uma mascara.




Nosso albergue era proximo da ponte de Rialto, na beira do Grande Canal, e na verdade, o que conhecemos de Veneza ficou bastante restrito entre o a ponte de Rialto, o Grande Canal e a baia que separa Veneza do Lido. O grande canal eh o que eh de mais "estressante" na cidade, quando toma-se o "vaporetto", o barco que faz as vezes de onibus, que com seu cheiro de diesel e tec-tec-tec caracteristico avanca muito mais lentamente do que o seu ruido faz supor. A margem do Grande Canal estao os principais Palazzi de Veneza, construidos pelas familias mais abastadas que tinham seus escritorios de comercio no andar de baixo, diretamente ligados ao Canal.

O Grande Canal termina numa ponta dominada pela Igreja de Santa Maria della Salute, construida para comemorar o fim de um surto de colera que dizimou 1/3 da populacao de Veneza nos idos do seculo XVII. No caminho que liga a ponte de Rialto a Piazza San Marco, concentram-se as lojas de grife. Gucci, Prada, e coisas assim pouco interessantes. Interessante mesmo eh a loja da Ferrari, hehe.








Um dos nossos lugares favoritos pra caminhar no final do dia era o "calcadao" que fica de frente para a baia que separa Veneza do Lido e de algumas outras ilhas. Lugar muito interessante, com banquinhos pra sentar e tomar o vinho a granel que achamos em uma enoteca (acho que era uma que a Nicole nos falou que existia, mas que nao anotamos o nome). Pra um vinho de 1,50 euros a garrafa PET (isso mesmo) de 1,5l, estava excelente. Serio mesmo, claro que nao era nada de espetacular, mas pra um vinhozinho de final de tarde, pra ser tomado sentadinho no banco de concreto e bebendo no bico da garrafa PET (que chinelagem...), estava mais do que bom!