Meia-maratona de Lausanne
A semana entao foi de torcidas: 1- que a Sharapova jogasse sabado em Zurique e 2- que domingo fizesse um dia bonito. O sabado fora um espetaculo, e o domingo? Sabado de noite, ainda Sharapoveado, jantei uma massa, como manda o manual do bom corredor, e no domingo olhei pela janela e vi um lindo ceu azul. Se o tempo estah bom em Berna, a chance de ele continuar bom parto do lago eh bem grande, o que se confrmou. Pra variar, dormi demais e cheguei em Lausanne depois da largada da maratona principal (as 10h). Peguei meu "kit", dei uma volta perto do ponto de chegada das provas e voltei para a estacao central pegar o trem para "La Tour de Peilz", o vilarejo onde seria a largada da meia-maratona.


Um monte de gente no trem, um monte de turistas, especialmente britanicos, e no meio de tanta gente, mesmo entre tanta gente, fiquei pensando como a corrida eh um esporte solitario. Dah pra treinar junto, correr junto, tudo bem, mas soh o proprio corredor sabe o que sente em cada treino, soh ele cria as suas expectativas, soh ele sabe o que sentiu durante a prova e quase sempre se corre apenas para baixar o seu proprio tempo. E mesmo assim, uma das melhores partes das corridas eh justamente essa bagunca de antes da corrida, a cansaco coletivo na chegada, os aplausos e gritos de incentivo de quem nunca te viu na vida te incentivando a fazer o melhor e nao desistir. Que esporte estranho! Corredores sao todos meio birutas. Ou nao?
Depois de descer na cidadezinha, fui pro vestiario colocar a roupa de corrida. Como eu tinha saido de Berna e enfim, poderia estar qualquer tempo em Lausanne, minha mochila tinha oculos escuros, luva, touca, bone, calcao, bermuda termica, camiseta regata, camiseta de manga comprida, fora o abrigo pro "antes e depois"; estava o caos. Tempertatura de uns 13, com sol, resolvi correr soh de calcao, camiseta e oculos. Apropriadamente vetido, vaselina besuntada na junta da perna com a sunga, ultimo lanche devorado 2h antes da prova, tdo ok, fechei minhas coisas, botei no caminha que as levariam de volta a Lausanne e fui caminhar por perto da estrada onde seria a prova. Algumas pessoas que estavam correndo a maratona ainda estavam passando, e nem estavam pensando em formar a linha de largada ainda. Sempre fico impressionado com esse "pelotao de fundo" da maratona, que eh basicamente formado por velhinhos e velhinhas, iniciantes ou outras pessoas que nao sabem se vao conseguir terminar a prova. Sao uns fortes, e sem duvida estao entre os merecedores dos mais entusiasmados aplausos.Aqueci, alonguei, e uns 20 minutos antes das 13h30 fui pra linha de largada, qua ainda tinha pouca gente. Consegui um bom lugar pra largar. Largar no meio da confusao eh foda, e eh muito estresse pra minha cabeca. Quem nunca viu uma largada de sao silvestre e olhando pra massa de corredores pensou "Bah, imagina os que tao lah no meio..." Pois eh, nao queiram estar lah no meio mesmo!
As 13h30, pontualmente, largamos. Na largada, saudacoes das janelas e nas calcadas. Minha expectativa realista de tempo era entre 1h40 e 1h45. Como eu estava mais ou menos treinado, achava que dava pra fazer a prova em 12km/h de media, como fiz a maratona, oq ue daria 1h45, mas como a prova era menor de repente dava pra fazer um pouco mais rapido. Depois da largada, com o lago a frente, tivemos que dobrar a direita na primeira subida da prova... nao estava nos planos mas va lah, pelo menos passamos na frente da torre que dah nome ao vilarejo e passamos novamente pela largada. Marca de 1km, olhei no relogio e tomei um susto. Fiz o 1o km a 15km/h! Velocidade em que corro 5km, mas certamente nao 21, nao ia dar pra manter aquele ritmo. Tentei diminuir, ateh consegui, mas alguns quilometros adiantes eu ainda estava mais rapido do que achava que devia. Olhava o relogio e pensava "isso nao vai dar certo...". Na marca de 5km resolvi nao olhar mais pro relogio. A essa altura eu jah estava totalmente no clima da prova. Uma prova linda, com uma paisagem espetacular. A visao do lago de um lado e dos vinhedos em terracos com seus muros de pedra eh inesquecivel. As igrejas de pedra, o cheiro de levedura das adegas, toda a paleta de cores do outono nos parrerais dificil de explicar. A cada vilarejo onde entravamos algo acontecendo, algum artista local fazendo um som, pessoas assando salsichas e olhando a prova, sorrisos de incentivo. Uma atmosfera otima, que amenisavam as eventuais subidas do percurso. Por subida deixa eu explicar, claro que nao eram ladeiras, tipo, ninguem poe faz um percurso de prova longa fazendo o cara subir a ladeira da Lucas, mas numa prova dessas qualquer misera subidinha de 20 metros parace uma escalada do Everest (na maratona de POA descobri "subidas" que eu jamais havia percebido - voces jah sabiam que logo que se entra na da Ipiranga pra Silva Soh, na frente do McDonalds, tem uma "lomba"? Bom, depois de correr 39km aquilo virou uma lomba).
Dois grandes momentos aconteceram perto do km 15. O primeiro, esportivo, foi quando depois de muito autocontrole olhei pro relogio de novo. 1h04min. Estava "estavel" a 13 alto, quase 14km/h. Possivelmente baixaria dos 1h40 que era minha meta inicial. O segundo, absolutamente snetimental. haviamos entrado num vilarejo, e vi um pequeno bando de criancas na beira da estrada. A cada corredor que passava, elas estendiam os bracos oferecendo a palma da mao, pra que os corredores fossem as cumprimentando em serie. O problema eh que logo depois tinha uma curva pro outro lado, entao onde elas tavam o pessoal jah tava fazendo a tangencia pra fazer a curva. Passaram um, dois, tres, quatro corredores e nada das criancas terem sua vontade atendida. Daih eu pensei: putz, o primeiro colocado jah devia estar quase terminando a prova, deve ter passado por aqui jah ha uns 15 minutos e a criancada ainda tah aqui olhando admirada esse bando de doidos... nao resisti. Desviei alguns metros da tangencia e clap, clap, calp, clap, clap. Cuprimentos atendidos, consegui apenas escutar a felicidade deles e a admirada surpresa dos que estavam a volta, que simpaticamente me retribuiram a gentileza com gritos de Hopp! e Allez! Saih do km 15 com um sorriso de canto de boca, que acho que soh saiu na minha tentativa de sprint. Eh impossivel sorrir durante o sprint. O problema do maldito sprint, no caso, foi o cone de chegada, que era enorme. Devia ter quase 1km aquela bosta. Po, quando o cara entra no cone, pensa "acabou" e desce a lenha. Foi o que eu fiz, mas o fim da prova nao chegava nunca!!! Ateh que ufa, chegou. 1h33min07seg, com 13,55 km/h de media.
Nao podia querer mais. Alguns metros depois da chagada jah vinha uma criatra te enrolar num plastico, outro vinha e te pendurava a medalha, ateh que se chegava nas paradisiacas barraquinhas de isotonico e frutas. Peguei duas garrafinhas, 2 macas, 2 bananas e fui sentar num canto, dar uma alongada, e acompanhar o moimento na praca que havia se transformado numa "praca de alongamento", cheia de corredores estirados ao sol do outono. Otimo. A corrida mais linda que jah fiz, sem duvida. Depois, deu uma passeada ao redor do lago pra acompanhar os ultimos corredores que vinham chegando, e ainda tentei juntar algumas forcas pra dar uma caminhadinha pelo centro de Lausanne, mas como errei o caminho, acabai indo parar numa praca do outro lado do centro historico, e muito cansado pra voltar, resolvi ficar por lah mesmo, curtir um pouco o final da tarde e voltar pra Berna. Feliz da vida.














PS1: Ah, vejam soh, recebi por e-mail um aviso de que ha um video da chagada de cada corredor! Dah pra baixar de graca, soh requer Windows Media Player 9 ou superior. Soh pra deixar claro, eu chego mais ou menos no segundo 14 do video, e, creiam, estava mais cansado do que parece. O link vai aqui embaixo:http://lausanne06.finisherclip.de/en/?action=detail&startnr=3931
PS2: O 1o colocado chegou com 1h11min26seg. Fiquei em 46/300 na minha categoria e em 253/2318 no geral.
PS3: As fotos da largada e dos corredores com os vinhedos ao fundo foi tirada do site oficial do evento.
















Pudemos experimentar um propulsor paleolitico pra cacar mamutes, e confesso que senti uma certa felicidade atavica ao lancar aquilo no monte de feno que fazia as vezes de mamute. O Excoffier tambem mostrou suas habilidades, a alias, como cacador de mamutes ele se saiu melhor do que eu, jah que conseguiu acertar o "mamute" 2 vezes, enquanto que eu... bom, errei todos os lancamentos. garanto que se fosse com boleadeiras eu me saia melhor que ele, hehehe.
Pra comer tinha "pao neolitico", que consistia numa gleba a base de farinha que assavamos num espeto. Serah que os pre-historicos nao fermentavam o pao? O prato principal seria Javali assado. Alias, a chegada do javali era aguardada com certa ansiedade, mas claropra evitar fazer todo o processo de extripar o bicho e deixar pendurado (nao tem um negocio que tem que deixar os bichos de caca pendurados pra "descer o sangue"?), os "cacadores" foram dar um passeio no mato e depois de uma meia hora sopraram uma especie de berrante que anunciava que a caca havia tido sucesso, daih eles vinham carregando o javali, jah mortinho, limpinho, e com o sangue jah escorridinho. O que parece que eh serio, no entanto, eh que eles realmente cacam o javali com flecha, jah que o Excoffier me disse que nos matinhos ali ao redor a populacao de javalis era bem garnde. O legal foi depois, quando eles tiraram o couro do bicho usando as facas de pedra, depois desmembraram o bicho e fizeam "espetinhos", com carne e cebola, que cada um assava em pequenas fogueiras no chao. Foi um dia bem divertido. O filho do Excoffier, Alphonse, passou a tarde inteira atirando a lanca no mamute. Jah a filha dele, Emilie, logo se cansou da historia do mamute e foi lah aprender mais sobre as tecnica do cara que fazia ceramica. Que coisa mais tipica, nao?





A foto final eh a familia do Excoffier: Ele (Laurent), Amilie, Alphonse, e sua esposa, Juliette. 





De lah fomos bater ponto na Paria, como fizemos em todos os finais de tarde. A praia fica na frente da Vila Olimpica, escoltada por dois grandes edificios e uma escultura modernosa (ora se nao...) lembrando um peixe. O que tb eh interessante eh que a praia ajuda a criar aquela polaridade Madrid-Barcelona. A area eh perfeita pra uma caminhada a tardinha ou a noite, cheia de bares e restaurantes. Foi aqui que comemos uma Paella de Arroz negro que olha... um espetaculo. Acho que de todas as comidas das viagens foi a melhor. Perfeita, nao muito cara, com uma boa Cava pra acompanhar. Eh, nao dah pra reclamar. Como falei, no post de Veneza, a praia aqui eh um pouco diferente das do Lido, sem tanto aquela historia dos "loteamentos", e com um ar mais moderno, esportivo e jovial. A cara de Barcelona.





