Estavamos no Louvre. Vespera de Pascoa, museu atrolhado. Gente a fim de ver com atencao, gente a fim de correr ateh a Monalisa e correr embora de volta; uma fauna, enfim. Depois de uma fila enorme mas rapida, entramos no museu e resolvemos ir meio que historicamente pelas alas, entao passamos por Egito, Grecia, Roma, Oriente Medio, e pulamos pra Renascenca Italiana. Depois de comer uma coisa, resolvemos mudar de ala pra ver os quadros do Veermer.
Na escada rolante que dava acesso ao hall de entrada, estavamos descendo quando um homem, aparentemente indiano, ou paquistanes, ou sri-lanques (ou algo assim), carregando um carrinho de bebe (sem bebe) tropecou na maldita escada rolante. No Louvre, os carrinhos de bebe tem tipo uma bandeirola com um numero de identificacao. Pois a bandeirola veio pra tras e bateu na testa da Daisy e logo abaixo do olho no lado esquerdo (acho que esquerdo).
No breve tempo entre eu olhar pra tras pra ver se ela tava bem e olhar pra frente pra ver o que acontecera com o sujeito, o cara jah tava lah no meio do hall, caminhando nervosamente sem nem pedir desculpas, o fdp... Daih virei pra Daisy de novo e vi que tinha cortado nos dois lugares, mas que aparentemente nao tinha pego no olho (primeiro "ufa"). O corte embaixo do olho era bam superficial, mas quando vi que o da testa comecou a sangrar achei que ia ser uma sanguera interminavel. Em poucos segundos, veio uma funcionario da seguranca do louvre que nos levou ateh a enfermaria.
A 1a grande dificuldade foi explicar o que tinha acontecido, jah que, pasmem, o staff do louvre (putz, eh O Louvre) nao fala ingles. Deve ter sido engracadissimo a mistura de ingles rudimentar que era soh o que eles conseguiam entender, frances pior do que rudimentar mas que era soh o que eu consegui falar, e dramatizacoes pantomimicas que sao, enfim, universais que eu usei pra explicar o que tinha acontecido, mas como naquela hora nos ainda estavamos um pouco nervosos, nem consegui me dar conta disso.
O sangramento parou num instante (segundo "ufa") , e tive que pedir pra calmissima enfermeira, por duas vezes, um pouco de gelo, pra que a carinha da pobre Daisy nao comecasse a inchar. Nisso veio a chefe de seguranca, que falava um pouco mais de ingles, e mais uma outra, que arranhava um pouco de espanhol, o que facilitou substancialmente a comunicacao. Bom, primeiro elas perguntaram o que a gente achava de ir a um hospital. Daih a gente falou que como o sangramento jah estava controlado a gente achava que nao precisava, mas elas nao gostaram da resposta.
Antes, tenho que contar o curativo que fizeram na minha pobre esposa. Imaginem dois pequenos cortes (profundos, ok, mas pequenos), um na testa e um abaixo do olho da pessoa. Agora imaginem um curativo que era um quadradinho de uns 1,5cm x 1,5cm de gaze, mais (nao estou brincando) uns bons centimetros de esparadrabo pra todods os lados. Bom, a Daisyzinha tava com meia testa e toda uma bochecha brancas de esparadrapo. Um piteu.
Depois do pessoal do Louvre entar e sair da sala umas 6 vezes e falar muito em "responsabilite" (acho que eles tavam com medo que a gente processasse o museu), ela nos informou que iam chamar os bombeiros pra remover a Daisy de ambulancia pra um hospital, que esse era o procedimento correto e que os bombeiros jah estavam vindo. Dois minutos depois, chegaram os tres bombeiros que de novo perguntaram o que tinha acontecido (alias, acho que a gente expliocou umas 6-7 vezes o que tinha acontecido ao longo daquele dia - estavamos ficando bons na "mimica com palavras-chave", jah), que olharam o corte, mediram o pulso, e sentaram a constrangidissma Daisy na cadeira de rodas. Que fique registrado, a essa altura, eu estava louco, mas louco mesmo pra tirar uma foto da Daisy de mascara branca sentadinha na cadeira de rodas em pelo Louvre pre-feriado de pascoa, mas como os franceses pareciam realmente preocupados com a situacao, achei que estava arriscado a ser acusado de negligencia e acabar andando de camburao e nao ambulancia...
Saimos entao Louvre afora escoltados por 3 bombeiros, que desobstruiam passagens e nos revelavam elevadores secretos como se nos fossemos chefes de estado. Depois de ascender triunfalmente no elevador para cadeirantes dentro da piramide de vidro (um momento epico, eu diria), pudemos acompanhar com gaudio e nobreza a chegada de uma ambulancia por cima da calcada, com as pessoas abrindo caminho para que a Daisy recebesse os devidos cuidados medicos.
Senti sinceramente uma ponta de decepcao na cara dos paramedicos quando a gente entrou na ambulancia. No perguntaram o que tinha acontecido, e em 5 minutos estavamos falando de Paris, dos pontos turisticos, etc. Depois de 1 hora no hospital, onde de novo tivemos que explicar o que aconteceu mais um par de vezes, saimos pela porta a essa altura achando tudo muito divertido. Eu soh com a historia pra contar. A Daisy, alem da historia, tambem ganhou um cucuruto cicatrizante cor de bala soft de uva na testa, pq o medico nao quis dar ponto, com a expressa orientacao francesa de nao lavar por 5 dias, e ainda fohetos muito ilustrativos, em ingles (ufa) com orientacoes para pacientes que sofreram "head trauma"...
A foto eh de quando no quarto ela resolveu botar um band-aid pra bala soft nao ficar aparecendo. Mas pra esclarecer, ela nao saiu na rua com um band-aid do Pooh, fiquem tranqu
ilos.